Nas semanas seguintes, todas as noites, depois de jantar, a minha mãe deitava-se de lado no sofá grande. Os gatos deitavam-se em cima dela, como um cobertor de gatos de muitas cores a deixar-lhe só a cabeça de fora. A escrava miriam sentava-se no chão com um alguidar cheio de azeitonas retalhadas e outro alguidar vazio. Eu sentava-me à escrivaninha. E a escrava miriam segurava uma azeitona com dois dedos e fazia-a desaparecer nos lábios em forma de azeitona da minha mãe. O pequeno fruto dava-lhe uma volta na boca, e o caroço era cuspido na mão da escrava miriam, e fazia toc no fundo do alguidar vazio ou fazia tic quando um monte de caroços cobris já o fundo do alguidar.José Luís Peixoto
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