Arundhati Roy
O deus das pequenas coisas
Momentos como este eram ciosamente guardados pelos gémeos, como pérolas preciosas que iam enfiando num colar (um tanto ralo).
Enquanto os pais se envolviam em braincadeiras sexuais sublimadas com as suas filhas adolescentes e núbeis, Poothana amamentava o jovem Krishna no seu seio envenenado. Bhima estripava Dushasana e banhava o cabelo de Draupadi no seu sangue.
Por trás dos seus óculos de sol mariposa, os olhos inúteis mantinham-se cerrados, embora ela visse a música à medida que ela se desprendia do violino e esvoaçava pela sala como fumo.
A mãe do Camarada Pillai continuava a baloiçar-se e a grunhir. Havia algo de reconfortante na cadência dos grunhidos. Como o bater de um relógio. Um som que mal se ouvia, mas do qual se sentia falta se parasse.
ARUNDHATI ROY – the end of imagination (mar09)
ARUNDHATI ROY – the greater common good (mar09)
ARUNDHATI ROY – the god of small things (apr09)