A prisioneira de Evin

A rua pavimentada, de quatro faixas, fervilhava de trânsito durante a hora de ponta e o ar cheirava ao fumo dos escapes. Do outro lado da rua, Hassan Agha, o vendedor que tinha apenas um braço, vendia ameixas verdes ácidas na primavera, pêssegos e alperces no verão, beterrabas estufadas no outono, e oferecia diferentes tipos de biscoitos no inverno. Eu adorava as beterrabas estufadas - fervilhavam lentamente numa frigideira grande e baixa sobre as chamas de um fogão portátil, e o seu molho pegajoso borbulhava e fumegava, tornando o ar adocicado. Na outra esquina do cruzamento, um velhote cego com um fato gasto e sujo erguia a mão ossuda aos transeuntes e gritava de manhã à noite: "ajudem-me, por amor de deus".

Marina Nemat - A Prisioneira de Teerão
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o que se leu em 2009

JOSÉ CARDOSO PIRES - balada da praia dos cães
JOSÉ SARAMAGO - ensaio sobre a cegueira
MIGUEL ESTEVES CARDOSO - a causa das coisas
JOSÉ SARAMAGO - jangada de pedra
MIGUEL TORGA - bichos
ANTÓNIO LOBO ANTUNES - os cús de judas
ARUNDHATI ROY - o fim da imaginação
ARUNDHATI ROY - pelo bem comum
ARUNDHATI ROY - o deus das pequenas coisas
WILLIAM BURROUGHTS - junkie
ANNE FRANK - o diário
JASVINDER SANGHERA - banida
MIA COUTO - venenos de deus, remédios do diabo
KAFKA - o processo
PAULO COELHO - as valquírias
PAUL AUSTER - leviathan
ARAVIND ADIGA - the white tiger
JOSÉ SARAMAGO - as intermitências da morte
LAURENCE REES - auschwitz, os nazis e a solução final
MILAN KUNDERA - a insustentável leveza do ser